2018 SERÁ O ANO DOS OUTSIDERS?

Esta corrida eleitoral promete ser a mais espetacular da história brasileira. Com a eliminação do ex-presidente Lula (devido a Lei da Ficha Limpa) o cenário fica em aberta e somado a nova cláusula de barreia para que os partidos possam receber o perverso Fundo Eleitoral devem transformar a eleição presidencial numa verdadeira “corrida maluca”, sendo assim a situação perfeita para vitória de um “outsider”.

E o maior favorito ao posto de outsider é o apresentador da Rede Globo, Luciano Huck. Segundo informações da Coluna Painel (6/fev/18), da Folha de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) recebeu em primeira mão a pesquisa qualitativa sobre a viabilidade eleitoral de Luciano Huck. O estudo, encomendado pelo próprio apresentador, fez um cruzamento do seu perfil com os desejos do eleitorado. Aliados de FHC disseram que o trabalho aponta que Huck tem “potencialmente muita chance” se entrar na disputa a cadeira do Planalto. O que fez penas voarem dentro do ninho tucano, pois poucos apostam em vitória do governador Geraldo Alckimin.

E se observarmos a última pesquisa Datafolha, publicada no dia 31/jan/18, Huck aparece com 8% das intenções de voto empatado com o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), em um eventual cenário sem Lula na disputa, atrás de Jair Bolsonaro (18%), Marina Silva (13%) e Ciro Gomes (10%), demonstrando assim a possível força de um outsider dentro do cenário atual.

E também, em entrevista ao Valor, FHC afirmou que não via espaço nessas eleições para “outsiders”, por outro lado, não descartou a participação de Huck.

Vale ressaltar que em evento do RenovaBR, projeto político da qual participa, Huck voltou a ser o centro das atenções ao discursar sobre a atual situação brasileira. Em um tom que foi visto por muitos como de “candidato”, ele marcou a noite ao dizer em vídeo que o Brasil “precisa de renovação”.

“Eu consigo enxergar competência, gente engajada e que eu admiro em vários setores. Na política é muito difícil conseguir encontrar muita gente da nossa geração, que está a fim de servir de fato e que esteja fazendo um bom trabalho. Então, o que a gente precisa no Brasil é renovação”, afirmou o propenso candidato “outsider”.

Também não podemos nos esquecer que os predicados de Huck são óbvios. É um homem de televisão bem-sucedido, popular e, por enquanto, sem os danos de imagem que mancham os políticos de carreira. Embora parte dos militantes da esquerda já estão o apresentando como a mais perfeita expressão da “elite branca” que desperta pode vir a trazer muita repulsa, mas que atualmente ele consegue, em virtude da carreira televisiva, estabelecer comunicação direta com o povo (considerado propriedade exclusiva da esquerda). Esta situação ficou clara devido ao alarde do Huck ter usado empréstimo do BNDES para comprar um avião particular (mas esquecem de dizer que foi durante o governo petista).

Mas, por enquanto, ninguém sabe ao certo que tipo de ideia Huck defende, mas se imagina que ficaria num campo político de “centro”, traduzindo: “em cima do muro”, como uma terceira via em relação a polarização ideológica entre as candidaturas de esquerda e do deputado Jair Bolsonaro.

Mas será que o Huck realmente será candidato? Pois o mesmo continua a se movimentar como se fosse. Lembramos das vitórias mais marcantes dos outsiders: Trump (EUA), Berlusconi (Itália) e João Dória (São Paulo). E qual seria o governo de alguém sem experiência? Tivemos o terrível governo Dilma, será que o Brasil cometerá o mesmo erro? Cenas para os próximos capítulos.

Referências

Luciano Huck tem ‘potencialmente muita chance’ dizem aliados de FHC sobre eleições: https://horia.com.br/comment/1190257

Em meio a elogios de FHC, candidatura de Huck é dada como certa pelo governo – e Globo não esconde descontentamento: http://www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/7259306/meio-elogios-fhc-candidatura-huck-dada-como-certa-pelo-governo

O risco da candidatura Huck: https://g1.globo.com/mundo/blog/helio-gurovitz/post/2018/02/14/o-risco-da-candidatura-huck.ghtml